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Curiosidade

Sentimentos e gestos equinos

Para se fazerem compreender, os cavalos utilizam olhares, sons, sinais e comportamentos como resposta aos nossos estímulos

26/09/2019 - 11:23 | Atualizado em 01/11/2019 - 15:32

Você já se perguntou se o seu cavalo tem sentimentos? Ao contrário dos seres humanos, os equinos não sentem dificuldade em expressar as emoções. Eles têm percepção das nossas linguagens verbal e não-verbal: utilizam gestos, olhares, sons e comportamentos como resposta. Se procurarmos entender o que eles expressam através de certas vocalizações e atitudes, estreitaremos o relacionamento e criaremos vínculos com eles.

Fagner Almeida
Os equinos não sentem dificuldade em expressar as suas emoções

A boa relação do cavalo com o cuidador, criador ou cavaleiro depende exclusivamente de três ingredientes: carinho, atenção e respeito. Quando os animais se apegam às pessoas com as quais convivem, eles desenvolvem um vínculo que se assemelha ao amor incondicional. A lealdade, a confiança e a proteção passam a fazer parte da relação. Eles reconhecem o cheiro, memorizam a voz, os gestos e até os hábitos das pessoas com as quais criam tal ligação. 

Segue o passo a passo para que a interação cavalo-cavaleiro aconteça de forma tranquila e segura: movimente-se devagar; aproxime-se do cavalo pelas laterais e não pela frente; mantenha certa distância até ser bem-vindo; fique imóvel e aguarde que ele autorize a sua aproximação; o sinal ficará verde assim que você permitir que ele o cheire; tente acariciar as suas costas. Se o cavalo se afastar quando você tentar tocá-lo é sinal de que você está se movimentando rápido demais. Então, recomece todo o processo.

Aprenda a ler as expressões e os movimentos do seu cavalo para interpretar como ele está se sentindo. Essa leitura ajuda a evitar acidentes quando ele estiver assustado ou aborrecido. Os equinos costumam expressar os seus sentimentos através de várias partes do corpo: orelhas, focinho, olhos, pernas e rabo. Numa próxima coluna abordarei os sinais da linguagem não-verbal dos equinos e os sons emitidos por eles.

A quantidade de tempo que precisamos para nos tornarmos amigos dos cavalos depende da frequência e da qualidade desses encontros, assim como da personalidade e da idade de cada animal. Cavalos jovens se apegam rapidamente, confiando no cuidador em questão de semanas. Já os mais velhos precisam de mais tempo. Assim como nas amizades entre os seres humanos, no relacionamento com o cavalo há bloqueios a serem quebrados. Quando isso acontece, eles nos respeitam e são leais pelo resto de suas vidas.

No mundo dos cavalos, o respeito corresponde ao amor incondicional. Por isso, quando me perguntam se os cavalos têm sentimentos, eu sempre respondo que todo animal se torna aquilo que aprende e recebe. As reações que expressam diante de diferentes vivências e acontecimentos podem, sim, ser chamadas de sentimentos. Por que não?

Gestos e sinais
Identificar e observar alguns dos principais sinais da comunicação equina melhora a qualidade do nosso convívio. Os cavalos são extremamente sensitivos. Expressam o que sentem e se comunicam através de movimentos, sinais, gestos e sons. Observando as posições e os movimentos de cabeça, olhos, orelhas, narinas, boca, membros e cauda, somados aos diferentes sons emitidos, compreendemos de forma clara o ânimo, o humor, o desconforto, a excitação, a aprovação, a concentração, o medo, o cansaço, o estado de alerta, o nível de atenção, a manifestação dos instintos e até as necessidades fisiológicas dos equinos. Então vamos conferir alguns desses sinais?

Fagner Almeida
Os cavalos se comunicam através de movimentos, sinais, gestos e sons

- Abanar a cabeça quando está solto no pasto: sinal de brincadeira.
- Abanar a cabeça quando está sendo treinado: desconforto.
- Balançar a cabeça pra baixo, emitindo roncos ou relinchos: aprovação ou tentativa de chamar a atenção.
- Olhos semicerrados, orelhas pra trás e cabisbaixo: tristeza, mau humor, dor, febre ou outro problema de saúde.
- Olhos esbugalhados: medo e ameaça.
- Olhos fechados: soneca (geralmente os cavalos dormem em pé, com os olhos quase ou totalmente fechados).
- Narinas dilatadas: estado e sinal de alerta, excitação ou vontade de chamar a atenção.
- Narinas enrugadas: aborrecimento.
- Lábio superior levantado: os garanhões sentem a aproximação das éguas. Concomitantemente a este movimento, levantam a cabeça, fecham as narinas e forçam a respiração, evidenciando o estado de excitação.
- Dentes expostos: sinal de ameaça.
- Ato de mordiscar: demonstra brincadeira.
- Orelhas para o lado: o cavalo se encontra relaxado ou também pode estar apático.
- Orelhas completamente para trás: irritação e agressividade. Durante o trabalho, evidencia cansaço e indisciplina.
- Orelhas pra frente e eretas: indicam que o cavalo está atento, curioso e interessado. Normalmente apresentam, em conjunto, as narinas dilatadas.
- Escavar: mostra o desejo de achar e receber algum alimento ou também pode ser tédio.
- Patas dianteiras esticadas para frente: nos machos isso indica a preparação para urinar.
- Uma das patas levantadas com meia ponta do casco apoiado: significa que o animal está descansando.
- Abanar a cauda: sinal de irritação ou desconforto.
- Mover a cauda contra o corpo: movimento para espantar moscas e outros insetos.
- Manter a cauda elevada: prazer e excitação. Éguas apresentam a elevação da cauda acompanhada de jatos de urina e reversão dos lábios vulvares quando estão no cio, demonstrando aos garanhões que estão aptas ao cruzamento.
- Relincho: som longo, alto e agudo, usado para chamar a atenção de algo ou de alguém. Serve para indicar a sua localização (os potros relincham quando estão longe da mãe).
- Resfôlego: saída de ar pelas narinas. Limpeza das vias respiratórias, aumentando a oxigenação. É também usado para alertar outros animais de algo novo ou ameaçador.
- Suspiro: saída longa de ar pelas narinas, que demonstra angústia, mal-estar ou tédio.


Foto:

Flávia Raucci harastresrios@harastresrios.com.br

Flávia Raucci é Diretora de Marketing do Haras Três Rios, criatório de cavalos da raça Mangalarga, localizado em Itatiba/SP, cuja história vai para 50 anos de seleção.

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