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Meu Pet

Gatos: ame-os ou deixe-os

A escolha de um gatinho como animal de estimação é cada vez mais aceita nos lares brasileiros, tornando a espécie popular e compreendida

17/08/2021 - 16:52 | Atualizado em 19/08/2021 - 17:40

Desde pequena, sempre gostei de animais. De qualquer tipo e espécie: cachorro, vaca, inseto, passarinho etc. Mas com o passar dos anos, identifiquei-me com os gatos, criando respeito e admiração por eles. Senti isso porque esses indivíduos elegantes me desafiavam, no sentido de que eu precisava me esforçar para ganhar a confiança deles.

Talvez pelo fato de os gatos não se considerarem propriedade de alguém, não obedecerem a comandos quando não querem e serem apegados a seu território, muita gente tem dificuldade em aceitá-los e, por isso, tendem a repeli-los. Talvez seja uma espécie difícil de ser compreendida. É um amor que precisa ser conquistado, sem dominância e hierarquia, um sentimento livre e bonito. Definitivamente, isso não é pra qualquer um.

O processo de domesticação do Felis catus foi único. Houve discussão abordando a possibilidade de os gatos terem passado por “autodomesticação”, isto é, com os humanos influenciando pouco em sua adaptação. Eles seguiram a urbanização humana, sendo que a data estimada de domesticação varia entre 7.000 e 100 a.C., entretanto, vários estudiosos pressupõem que ainda hoje o gato não esteja totalmente domesticado, uma vez que pode se tornar autossuficiente.

O ascendente mais antigo data de 45 milhões de anos atrás e só há 08 milhões a linhagem familiar se separou da anterior e originou os gatos modernos. Em torno de 1.600 a.C. os gatos eram aceitos no Egito e utilizados para o controle de roedores em fazendas e celeiros. A crença de que o gato pode ver a alma da pessoa está ligada à fascinação que os egípcios têm pelos olhos dos felinos. Bastet, a deusa gata, representa a saúde e a fertilidade das plantas e das mulheres.

Os gatos chegaram em navios a Grã Bretanha entre 500 e 300 d.C. e quando as Cruzadas retornaram, por volta de 1.600 d.C., trouxeram uma invasão de ratos marrons e, consequentemente, a aceitação gradual do único controle efetivo da praga: o gato. Outrora adorado no Egito, os gatos foram perseguidos na Europa Medieval por conta de superstições patrocinadas pela Igreja Católica. Com isso, eles passaram a ser queimados em fogueiras, jogados de precipícios e intitulados como “criaturas diabólicas”. A matança fez com que a população de ratos aumentasse, contribuindo para a propagação da Peste Negra.

Apesar de a maioria das pessoas tratarem os gatos como pequenos cães, os bichanos são uma espécie totalmente diferente, com características próprias: são peculiares desde o comportamento até as necessidades nutricionais. Por serem extremamente ligados a seu território, muitos confundem essa característica e os chamam de interesseiros. Os gatos são extremamente independentes e adaptáveis, mas isso não quer dizer que não tenham afeição pelos donos. Muito pelo contrário: os felinos são carinhosos, dão menos trabalho e não sofrem tanto quanto os cães quando ficam sozinhos. A cada ano que passa essa espécie vem ganhando mais popularidade e o mercado pet voltado para os bichanos cresce junto.

A escolha do gato como animal de estimação já é aceita nos lares brasileiros, tornando a espécie mais popular e compreendida. Então, para aqueles que dizem “não gosto e ponto”, deixo a seguinte dica: liberte-se de preconceitos e exercite a tolerância - não só nas relações interespecíficas (dos homens com outras espécies) como também nas relações intraespecíficas (homem-homem). Acredito que seja isso que os gatos vieram nos ensinar.


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Janaina Biotto contato@vilachicopethotel.com.br

A médica veterinária Janaina Biotto é especialista em Anestesia, Oncologia, Ozonioterapia e Acupuntura. Atende no Vila Chico Pet Hotel, em Botucatu/SP.

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