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Paulo Vieira


Veterinária

Chipagem em equinos

A necessidade de identificação fácil e permanente é preocupação básica da indústria equestre. Saiba mais sobre a tecnologia

13/06/2019 - 12:48 | Atualizado em 17/09/2019 - 22:17

O médico veterinário Hélio Itapema é titular da Clínica de Equinos Itapema, cuja especialidade é o atendimento a cavalos de Salto e Tambor. Certa feita, ele escreveu sobre a chipagem em equinos para o Portal InfoHorse, veículo de imprensa do jornalista e leiloeiro rural Marcelo Pardini, que esteve no ar até 2018. Leia a matéria, que é reeditada exclusivamente em Agro MP:

Desde o início da civilização, os humanos têm procurado meios para identificar os animais. Uma primitiva identificação equina consistia numa simples descrição escrita ou num gráfico desenhado (resenha) do animal, algo que persiste até hoje. Já a marcação a ferro quente, criada pelos colonos espanhóis no século XIX, foi adotada por donos de ranchos no Ocidente. A tatuagem no lábio, também difundida a partir do século XIX, foi usada primeiramente pelas forças armadas norte-americanas e, posteriormente, por proprietários de cavalos de Corrida. No século XX foi descoberta a marcação a frio, feita com Nitrogênio líquido, em que o ferro é mergulhado no gás a 160 ºC negativos. No local da marcação os pelos são aparados e a região é limpa com álcool. Em pelagem escura, deve-se permanecer com o ferro em contato com a pele por cerca de 10 a 20 segundos, enquanto em pelagem clara, de 40 a 50. Nos Estados Unidos, os Mustangues são marcados no lado esquerdo do pescoço.

A necessidade de identificação fácil e permanente é preocupação básica da indústria equestre, pois os métodos padrões utilizados são rudimentares e incompletos. A falta da mesma conduz à dificuldade de solução em casos de roubo de cavalos e até controle veterinário e zootécnico em eventos. A identificação também é importante durante surtos de doenças infecciosas graves, como o Mormo, sendo ferramentas oficiais de busca para determinar quais animais viajaram, para onde foram e às quais doenças estiveram expostos.

O uso de resenhas para identificação de cavalos, carteira de vacinas e cadernetas de campo estão com os dias contados. Os mercados Veterinário e Zootécnico brasileiros vêm absorvendo novas tecnologias. A atualização se faz necessária para evitar fraudes. Neste sentido, a tecnologia de microchipagem é um método imparcial de identificação que pode ser utilizado em associação às marcas naturais, como idade, sexo, raça e pelagem.

A identificação por marcas naturais - marcações, brincos, etiquetas, microchip ou derivados de códigos da íris e da retina - são chapas de identificação que dão ao portador uma característica única. O baixo custo, a praticidade e o fato de ser um método indolor são os diferenciais do microchip. Em vários países é obrigatório o uso de microchip em cavalos. Não levará muito tempo para que o exemplo seja seguido no mundo todo. Em curto prazo, tal identificação será útil para outras finalidades, bastando apenas um leitor e um computador. Também será possível, por exemplo, controlar todo o histórico do cavalo.

Através de programas de última geração, pode-se colocar dados como nome, resenha, pelagem, idade, controle clínico, raio-x, ultrassom, eventos presentes e antidoping para o total controle do animal. É um passo significativo até para efeito de exportação. A grande vantagem no uso do microchip é a marcação permanente, pois não é possível removê-lo. Além disso, o mesmo dura até 100 anos e tem garantia de unicidade.

O microchip é um transponder constituído de um código exclusivo e inalterável, gravado a laser, encapsulado em vidro cirúrgico, microrevestido em capa de Polipropileno biocompatível e anti-migratório, com tamanho aproximado de um grão de arroz. O diminuto porte (aproximadamente 11,5 mm x 02 mm) e a forma permitem que ele seja injetado no animal com uma seringa ou aparelho similar análogo aos utilizados para aplicar vacinas. Após a injeção, o microchip permanece com o animal por toda a vida, fornecendo o número de identificação individual toda vez que o mesmo for escaneado por uma leitora de identificação eletrônica compatível.

É importante lembrar que este equipamento não carrega bateria e permanece inativo a maior parte do tempo. O pequenino circuito eletrônico do transponder é energizado somente quando recebe frequência de rádio de baixa potência enviada por aparelho de leitura compatível. O papel passivo do microchip dá a ele durabilidade por toda a vida do animal. O transponder envia o número de identificação como um sinal de rádio de volta ao scanner, que decodifica o número e o mostra numa pequena tela, similar a de uma calculadora.

E a leitora é um aparelho de radiofrequência compacto, operado à bateria, fácil de usar, que identifica microchips. Toda operação é feita por um simples botão, programável no campo, com possibilidade de ler futuros transponders. A potência do sinal do scanner é menos do que um milésimo de Watt, bem menos do que a transmitida por um rádio de criança de duas vias (walkie-talkie), por exemplo. Isso permite aos scanners serem operados virtualmente em todos os países como um aparelho de rádio de baixa potência que não requer licenciamento local.


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