Muitas das falhas da vida acontecem quando as pessoas não percebem o quão perto estão quando desistem

Thomas Edison

Muitas das falhas da vida acontecem quando as pessoas não percebem o quão perto estão quando desistem

Thomas Edison


Veterinária

A composição do leite equino

A quantidade e a concentração de todos os componentes do saudável líquido branco afetam diretamente a intensidade e o crescimento correto dos potros

04/07/2019 - 10:34 | Atualizado em 17/09/2019 - 23:10

Este artigo, elaborado pelo Dr. Francisco Lança, originalmente publicado em Portal InfoHorse, veículo de Comunicação do jornalista e leiloeiro rural Marcelo Pardini, que esteve no ar até 2018, é reeditado aqui, haja vista que o conteúdo tem como objetivo auxiliar o criador de cavalos, principalmente aquele que utiliza o programa de Transferência de Embriões (TE), a  fim de ajustar receptoras às necessidades nutritivas de cada raça específica.

“A capacidade leiteira da égua não deve ser subestimada, sobretudo, pelo fato de o leite ser o principal alimento durante os três primeiros meses de vida do potrinho”, diz o veterinário. A matriz precisa produzir o saudável líquido branco suficiente para dobrar o peso do potro em 60 dias, com o risco de haver crescimento fora de padrão. Comparado com outras espécies, o leite da égua é consideravelmente baixo em alguns componentes. Veja:

Imagem cedida
O leite da égua é consideravelmente baixo em alguns componentes

A glândula mamária
A égua possui quatro glândulas mamárias ligadas ao corpo por ligamentos de sustentação. Elas não possuem pelos e são extremamente sensíveis à sucção do potro. Ao contrário dos outros mamíferos, o leite é secretado apenas por duas tetas ao invés de quatro, como a vaca, por exemplo. Ou seja: há apenas uma saída para cada duas glândulas mamárias. No interior, a glândula mamária é composta por alvéolos que produzem o leite e vários ductos ramificados e interligados entre si, que o depositam e armazenam logo abaixo, numa câmara, enchendo o úbere da égua. O leite é ali mantido por um esfíncter muscular que o impede de sair, somente "vazando" no processo de mama do potro.

Durante a gestação, as glândulas mamárias se desenvolvem sob a ação do hormônio progesterona até o momento do parto, quando a produção de colostro torna o úbere visível. Elas seguem se desenvolvendo até seu nível máximo (oito semanas após o parto), aumentando assim a produção de leite proporcionalmente ao crescimento do potro.

A formação do leite
Os constituintes do leite são captados da circulação sanguínea pelas células mamárias. Nestas, os componentes são transformados em lactose, gordura e proteínas, e armazenados nos alvéolos juntos com a água. À medida que a câmara de armazenamento se enche, aumenta a pressão dos ductos, deixando o leite pronto para o potro. A taxa de produção é controlada por hormônios que, por sua vez, são moderados pela quantidade de leite que o potro mama. Quando o potro começa a comer verde ou ração, ele diminui a ingestão do leite e, assim, a produção leiteira da égua também cai. Se o pequeno equino ficar sem mamar por 24 horas, a glândula mamária da égua inicia o retrocesso e, mesmo que o potro volte a mamar após esse período, os níveis de produção já não serão os mesmos.

A curva de lactação
A quantidade e a concentração dos componentes do leite afetam diretamente a intensidade e o crescimento correto dos potros. Durante a lactação, o leite da égua sofre variações de acordo com o status fisiológico, como gestação e cio. A produção aumenta até os 60 dias, quando ocorre o pico lactacional. Após esse período, a produção cai juntamente com a quantidade de nutrientes até atingir níveis mínimos de qualidade, ocasionando o desmame e o fim da produção. Quanto antes o potro pasta, mais cedo se inicia a diminuição da produção leiteira.

Os nutrientes do leite
Vários são os constituintes do leite, mas neste artigo os abordados são os principais, sendo matéria seca, gordura, proteínas (caseína), lactose (principal açúcar) e matéria mineral (Cálcio e Fósforo). Eles variam na concentração de égua para égua e de raça para raça. Segue abaixo tabela comparativa entre as diversas raças criadas no Brasil:

Imagem cedida
Os nutrientes do leite variam na concentração de forma individual e por raça

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