Quem busca a verdade procurará sempre vencer o mal com o bem, a ira com o amor, a falsidade com a verdade, a violência com a não-violência. Não existe outro modo de purificar o mundo do mal

Mahatma Gandhi

Aquilo que você semeia na mente subconsciente é o que vai colher no corpo e no ambiente externo

Joseph Murphy


Veterinária

Cólica, o inimigo Nº 1 dos equinos - Parte I

Conheça alguns problemas que acometem o sistema digestório e saiba o porquê de os cavalos apresentarem tantas torções intestinais

16/06/2019 - 10:17 | Atualizado em 18/09/2019 - 08:54

Fazendo uso dos conhecimentos do Dr. Hélio Itapema, da Clínica de Equinos Itapema, transmitidos em matéria publicada no Portal InfoHorse, veículo de imprensa mantido pelo jornalista e leiloeiro rural Marcelo Pardini até 2018, republicamos aqui o porquê de complicações apresentadas no trato digestório dos equinos. O tema é tão relevante e extenso, que o conteúdo é apresentado em duas partes. Confira a primeira:

“O termo cólica traduz dor abdominal, portanto, não se trata de doença, mas sintoma característico de cavalos com alterações no trato digestório. Logo, temos que estudar os equinos sem nos esquecermos de suas origens, ou seja, devemos nos lembrar de que seus ancestrais não foram adaptados a ficarem confinados num espaço pequeno, nem a se alimentarem com concentrados, tendo restrição à oferta de verde (capim)”, diz o veterinário Hélio Itapema.

Marcelo Pardini
Cólica - sintoma característico de cavalos com alterações no trato digestório

Noções básicas de Anatomia equina
Boca:
composta por lábios, dentes, língua e órgãos acessórios, como glândulas salivares, é responsável pela apreensão, mastigação e redução do tamanho do alimento para a passagem deste pela faringe. Um animal de aproximadamente 400 quilos secreta até 40 litros de saliva por dia, com PH básico, o que favorece o crescimento de bactérias fermentativas no estômago. A manutenção semestral dos dentes do cavalo e a observação minuciosa das estruturas presentes na boca podem auxiliar na prevenção da cólica.

Esôfago: conecta a boca ao estômago (através do cárdia). A junção do esôfago com o estômago se dá de forma oblíqua que, somada ao fato de o cárdia ser uma musculatura forte, impede o refluxo do conteúdo gástrico, fazendo com que o cavalo não vomite em condições normais.

Estômago: o equino se alimenta em pequenas refeições diárias. Isso faz com que o seu estômago tenha capacidade reduzida, entre 08 a 15 litros. O alimento passa pelo cárdia, mantém-se no estômago durante pouco tempo e, através de movimentos peristálticos, encaminha-se para o piloro para entrar no duodeno (intestino delgado). O suco gástrico, oriundo da região fúndica, é composto por água, substâncias orgânicas, ácido clorídrico livre e sais minerais, e é produzido o dia todo. Em 24 horas, o cavalo pode secretar entre 10 e 30 litros deste suco. Também há a produção de um muco que protege a parede do estômago contra traumas e autodigestão. O mesmo se encontra em maior volume em casos de úlceras e gastrite, pois é uma defesa do organismo contra a ação do suco gástrico. Em condições normais, o estômago do equino não se esvazia completamente, portanto, devemos ter cuidado com úlceras gástricas ocasionadas pelo estresse, mal que desencadeia cólica e acomete muitos cavalos de Esporte.

Intestino delgado: é dividido em duodeno, jejuno e íleo. No animal adulto tem em média 25 metros e possui apenas um ponto de fixação, que é a raiz mesentérica (isso facilita a ocorrência de volvo, encarceramento e torções). Também devemos considerar o fato de o alimento conduzido pelo intestino delgado normalmente ser grosseiro e pouco digerido, o que pode favorecer o aparecimento de impactações. Após o ingresso do quimo no duodeno ocorrem alguns eventos, entre eles, a vasodilatação mesentérica, que se estende por até 06 horas, com pico entre 30 a 90 minutos. Neste período, o animal não deve ser submetido a exercícios, pois o sangue poderia ser desviado para os músculos, prejudicando o processo de digestão.

Intestino grosso: é dividido em ceco, cólon maior, cólon transverso, cólon menor, reto e ânus, possuindo tênias e algumas saculações.

Ceco: considerado a câmara de fermentação dos equinos; mede cerca de um metro.

Cólon maior: no animal adulto mede cerca de 4,5 metros. Há grande variação do lúmen das alças, podendo ocasionar impactações em pontos críticos, como flexura pélvica e cólon transverso.

Cólon menor: mede em torno de 04 metros, com lume de 06 a 08 centímetros. É responsável pela forma das fezes (síbalas). O trânsito normal de ingestão no cavalo adulto em condições saudáveis do estômago até o ânus ocorre de 48 a 96 horas, dependendo do tipo de alimentação.

Com a breve explicação anatômica do trato gastrointestinal do equino joga-se luz às causas da cólica, dentre elas, o fato de o cavalo não vomitar e os motivos pelos quais resultam em tantas torções intestinais e impactações. “Este grande vilão que até hoje assombra os equinos pode ser prevenido. Quando tratado corretamente e de forma rápida há grande chance de êxito, sem que culmine na morte do animal. Tal fato é sustentado pelas estatísticas veterinárias, que apontam 95% de sucesso nas intervenções”, ressalta Itapema.

Em breve, lançaremos a segunda parte da matéria, em que explicaremos os sintomas da cólica e discorreremos sobre como preveni-las. Também daremos dicas sobre tratamentos. Acompanhe a Agro MP - A voz do Agronegócio.


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