A vivência prática me permite concluir que nada supera a ação precisa e vencedora, a atitude positiva na conclusão das metas. Fazer é mais produtivo do que pensar

Marcelo Pardini

Se hoje não estamos felizes com os nossos resultados, temos que rever as atitudes, reprogramar os pensamentos, mudar as crenças, afinal, as escolhas definem os caminhos

Marcelo Pardini


Meu Pet

Problemas comportamentais

O desafio é aprender a nos comunicar melhor com os animais, compreendendo que a mente deles funciona diferentemente da nossa

17/08/2021 - 16:05 | Atualizado em 10/02/2023 - 15:59

Cães e gatos costumam apresentar inúmeros problemas comportamentais ao longo de suas vidas e cabe aos veterinários e tutores saberem identificar e tratar os mesmos. Algumas dessas complicações são relativamente comuns e simples, geradas por erros de manejo e falhas no ambiente onde vivem, sendo simples as respectivas resoluções. Há alguns fatores mais complexos, que envolvem, além de erros nos cuidados diários, agravantes genéticos e até problemas de saúde. Conheça os quatro mais comuns:

1. Urina e fezes em locais inapropriados
Cães logo que vão para um novo ambiente sentem necessidade de demarcar o território, para reconhecimento do local e farejar outros indivíduos, a fim de obter informações sobre estes, como idade, sexo e status reprodutivo.  Perfeitamente normal, entretanto, temos a necessidade de que eles aprendam que o tapete da sala não é o melhor lugar para que eles façam suas necessidades! Mesmo os adultos podem ser ensinados a urinar e a defecar em locais pré-determinados (treino e carinho). Já os filhotes, logo no início da convivência, devem ser doutrinados a utilizarem determinados locais para tais finalidades. Isso exige paciência e repetição por parte do proprietário. Animais com incontinência, demência (devido à idade avançada), infecções urinárias e fêmeas no cio podem procurar locais “estranhos” para fazer suas necessidades fisiológicas. Causas físicas devem ser descartadas antes de chegarmos à conclusão de que o problema é puramente comportamental. A observação é importante.

Dica: estabeleça um local para que o animal urine e defeque, de forma que ele tenha privacidade e acesso a qualquer hora do dia; recolha as fezes o mais rápido possível e recompense-o quando acertar. Podem ser utilizados jornais, tapetes ou caixas higiênicas, além de produtos odoríferos disponíveis no mercado para essa finalidade. Após a alimentação é muito comum que o animal tenha vontade de urinar ou defecar, então, desde filhote, já leve o seu cãozinho até o local designado para tal finalidade e espere que ele faça, recompensando-o com um petisco ou carinho quando acertar. É muito mais efetivo reforçar um comportamento de forma positiva do que punir.

2. Ansiedade da separação
Outro problema é a ansiedade da separação. Animais que são deixados sozinhos em casa desenvolvem comportamentos destrutivos: portas arranhadas, objetos destruídos, latidos constantes. Em muitos casos, faz-se necessário o uso de medicamentos e até o trabalho de terapia comportamental.

Dica: tal comportamento, na maioria das vezes, é reforçado pelo tutor, que acaba tendo um "ritual de despedida” ao sair de casa. A volta para o lar é outro fator de complicação… o ideal é entrar sem fazer festinha e no momento que o animal estiver tranquilo e calmo partir para o afago. Evite demonstrar para o animal que você está saindo. Pegue as chaves do carro e não saia, troque de roupa e fique no sofá, entre e saia pela porta rapidamente sem que dê tempo de o pet se desesperar. Essas são técnicas chamadas de dessensibilização, que funcionam melhor nesses casos.

3. Ataque predatório contra outras espécies
Não é incomum nossos gatos aparecerem com o pássaro do vizinho na boca ou o cãozinho matar as galinhas alheias e até mesmo o porquinho da índia que convivia com ele. O comportamento predatório é o mais difícil de ser controlado e eliminado. Simplesmente porque é primitivo, está no código genético do animal e é ativado pelo movimento da presa. Muitas vezes, a recompensa de caçar e apresentar o comportamento instintivo é mais prazeroso do que a represália posterior. Mesmo assim, é possível melhorar e controlar o instinto selvagem do pet, mas isso também demanda muito treino. Não adianta castigar ou punir o animal depois do ocorrido. Afinal, se não fosse o instinto de caça, espécies de predadores não mais estariam habitando a Terra neste exato momento.

Dica: não puna o animal após o ocorrido, pois ele não irá entender o castigo, logo, não surtirá efeito positivo. Compreenda que está na natureza do animal ser predador. Tente isolar o animal para que o comportamento não ocorra e procure ajuda de adestradores para desenvolver um treino que evite o comportamento indesejado.

4. Medo de trovão ou rojão
Este é outro grande problema comportamental que, em muitos casos, o animal fica aterrorizado, vindo a urinar, defecar, machucar-se e até perder os sentidos por causa do medo. Normalmente, o comportamento de medo é reforçado pelos tutores no momento em que esses animais são “protegidos” com abraços e excesso de zelo. Parece cruel falar isso, mas o ideal é que você demonstre calma e tire o foco da atenção, mostrando ao seu animalzinho que não há o que temer, que se trata apenas de um barulho.

Dicas: brincadeiras, música e recompensas podem ser utilizadas com a finalidade de terapias de dessensibilização - sons de trovões e rojões em intensidades menores, sendo aumentados progressivamente até que o animal perca o medo. Nunca é fácil, exige paciência e um tempo maior de treino, porém não é impossível de se resolver.

Os problemas comportamentais de cães e gatos são inúmeros e na maioria das vezes possuem explicação lógica, sendo passíveis de resolução. Todavia, devemos excluir causas físicas e instintivas, doenças concomitantes, entre outras, para obtêr sucesso no tratamento. Profissionais qualificados podem ser de grande valia para diagnosticar e realizar as terapias comportamentais através do adestramento. Muitas vezes, além dos treinos periódicos, são necessários medicamentos alopáticos, florais, fitoterápicos e mudança do animal do ambiente onde vive. Evite punir o pet de forma rigorosa, principalmente se o comportamento ocorreu há alguns minutos, pois sua memória em relação ao evento é curta e ele não correlacionará o castigo com o ocorrido. O desafio é aprender a nos comunicar melhor com as outras espécies, tendo paciência, amor e respeito, entendendo que a mente do nosso bichinho funciona diferentemente da nossa e que as necessidades de cada ser variam bastante.


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Janaina Biotto contato@vilachicopethotel.com.br

A médica veterinária Janaina Biotto é especialista em Anestesia, Oncologia, Ozonioterapia e Acupuntura. Atende no Vila Chico Pet Hotel, em Botucatu/SP

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