Minha filosofia é: a gente muda o que está sob o nosso comando e aceita aquilo que não pode alterar, mas, mesmo aceitando, não perde a chance de transformar - eis o segredo de um milhão de dólares

Geraldo Rufino

A arte de viver consiste em tirar o maior bem do maior mal

Machado de Assis


Veterinária

Arma contra o "Rhodococcus equi"

Como não é possível fazer a completa prevenção da doença, o controle da enfermidade depende de estratégias para diminuir a incidência nos haras

13/09/2021 - 16:22 | Atualizado em 15/09/2021 - 15:55

O Dr. Francisco José do Monte Lança é natural de Beja, Portugal. Especialista nas áreas de Nutrição, Genética, Biodinâmica, Manejo, Planos Sanitários, Clínica, Cirurgia e Reprodução de animais das raças Quarto de Milha e Puro Sangue Inglês, ele tem vasta experiência profissional. Foi residente no Jockey Club de São Paulo; administrou o Haras São José e Expedictus, em Botucatu/SP e Rio Claro/SP; foi veterinário do Stud TNT, em Bagé/RS, além de ter atuado no Haras du Val Henry, na França; na Three Chimneys Farm, nos Estados Unidos, e no Haras La Madrugada, na Argentina. No Portal InfoHorse, veículo de Comunicação do jornalista e leiloeiro rural Marcelo Pardini, que esteve no ar até 2018, ele colaborou com diversas matérias interessantes. Confira esta, reeditada na íntegra com exclusividade em Agro MP, sobre a ultrassonografia torácica em equinos:

Causa importante da pneumonia em potros entre 03 semanas e 05 meses de idade, o Rhodococcus equi (R. Equi) está presente no ambiente da maioria dos haras. “As taxas de mortalidade são altas em propriedades endêmicas. Os métodos para o controle e prevenção do R. equi ainda não são bem compreendidos. Não existem vacinas totalmente eficazes disponíveis. A única estratégia profilática comprovadamente eficaz é a administração de plasma hiperimune”, explica Dr. Francisco Lança, médico veterinário com vasta experiência.

Marcelo Pardini
"Rhodococcus equi" causa pneumonia em potros de até 05 meses de idade

Os tratamentos com antibióticos são caros, prolongados e podem não ser bem sucedidos. A doença também pode ocorrer em cavalos adultos. “Devido à prevenção completa não ser possível, o controle do R. equi em criatórios afetados depende de estratégias para diminuir a incidência da doença. A ultrassonografia torácica tem demonstrado ser o meio de diagnóstico exato para a detecção da referida patologia pulmonar”, diz o profissional.

Metodologia
A ultrassonografia é realizada a campo com o transdutor linear retal entre 5,0 a 7,5 MHz. Os potros são examinados a partir dos 15 dias de vida e reexaminados quinzenalmente até o desmame. “No exame, procuramos evidências de abcessos e líquido pulmonar, características da pneumonia por R. Equi. Esses são de vários tamanhos e podem ser encontrados em qualquer local do pulmão. Outra observação é que cerca de 50% dos potros positivos não apresentam sintomas da doença, o que corrobora a importância de sempre estarmos de olhos bem abertos”.

As lesões encontradas são classificadas segundo o tamanho, como segue:
- Grau 0: sem lesões.
- Grau 1: lesões menores de 01 cm.
- Grau 2: lesões entre 01 e 02 cm.
- Grau 3: lesões entre 02 e 03 cm.
- Grau 4: lesões entre 03 e 04 cm.
- Grau 5: lesões entre 04 e 05 cm.
- Grau 6: lesões entre 05 e 06 cm.
- Grau 7: lesões entre 06 e 07 cm.
- Grau 8: lesões entre 07 e 09 cm.
- Grau 9: lesões entre 09 e 11 cm.
- Grau 10: todo o pulmão afetado.

Tratamento e prevenção
Todos os potros positivos devem ser tratados com os antibióticos necessários: Azitromicina, Claritromicina e Rifampicina. A ultrassonografia torácica é um método fácil e rápido, e os resultados são instantâneos. Uma das dificuldades associadas ao tratamento é saber quando o mesmo deve ser descontinuado. Os potros muitas vezes parecem clinicamente sãos antes de os abscessos regredirem. Interromper o tratamento leva a recaídas. “Sabe-se que até 50% dos potros são subclinicamente afetados. Com a ultrassonografia de diagnóstico, seguida de tratamento, a incidência subclínica cai para cerca de 30% e a doença chega a 0". Portanto, a diminuição de infecções subclínicas está associada ao tratamento destes potros e a excreção fecal de R. Equi diminuída.

"A implementação da ultrassonografia torácica em propriedades endêmicas é altamente eficaz, porque os potros que foram diagnosticados como grau 0 não desenvolveram a doença. Em resumo, trata-se de um diagnóstico prático, rápido, preciso e útil na triagem de R. equi”, finaliza.