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Marcelo Pardini

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Marcelo Pardini


Veterinária

O seu cavalo sem dor

A alteração de comportamento pode indicar a ocorrência de um processo inflamatório, que deve ser diagnosticado precocemente

10/02/2026 - 16:16

Atualmente, os cavalos estão envolvidos em diversas atividades do dia a dia, não só na lida das fazendas, como também no lazer, em terapias assistidas e nas diferentes modalidades esportivas. Os cavalos-atletas, especialmente, possuem alta exigência física e, dessa forma, estão sujeitos às lesões, que podem influenciar o desempenho esportivo e até mesmo afastá-los precocemente da vida atlética. “Como consequência dessas lesões há uma resposta inflamatória, que deve ser tratada com bastante atenção, visando ao bem-estar e à saúde deles”, afirma o médico-veterinário Kauê Ribeiro da Silva, Coordenador de Comunicação Técnica da Vetnil, uma das empresas líderes em medicamentos e suplementos para equinos no Brasil.

É essencial estar atento aos sinais clínicos do animal, já que podem sugerir condições álgicas (dolorosas), para que seja introduzida uma terapia adequada. “Uma simples alteração de comportamento, por exemplo, pode indicar a ocorrência de um processo inflamatório, que deve ser diagnosticado e tratado precocemente, utilizando uma terapia preferencialmente multimodal que conte com medicamentos seguros e eficazes”, explica Kauê.

O processo inflamatório consiste em um mecanismo de defesa do organismo frente à determinada lesão. Estímulos nocivos causados, por exemplo, por lesões musculoesqueléticas, levam à injúria tecidual e ativam uma cascata de inflamação no organismo do animal. A membrana da célula é alterada e há ativação de uma enzima denominada fosfolipase A2, que permite a liberação do ácido araquidônico, presente normalmente em maior concentração na membrana celular. Há a atuação de duas isoformas de uma enzima denominada Cicloxigenase (COX): a COX-1 e a COX-2, responsáveis pela produção de mediadores químicos. A via da COX-1, considerada constitutiva, está majoritariamente relacionada com funções fisiológicas e protetoras do organismo, como produção de muco gástrico, perfusão renal e função plaquetária. Já a via da COX-2, considerada indutiva, é expressada principalmente em reações inflamatórias, gerando prostaglandinas relacionadas aos sinais de dor, vermelhidão, aumento de temperatura local, edema e até perda de função de determinada estrutura, caracterizando os sinais cardeais da inflamação.

"As manifestações mais comuns de condições inflamatórias são: queda no desempenho, claudicação, apatia e perda de massa muscular, que afetam o bem-estar do cavalo. Além disso, indiretamente, podem gerar impactos econômicos negativos ao proprietário, visto que o animal é afastado por tempo indeterminado das provas e o criador precisa investir no seu tratamento", explica o coordenador de comunicação técnica da Vetnil.

É comum o uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) devido às propriedades de controle da inflamação, analgesia e controle da febre, devolvendo conforto ao animal. Há diversos produtos convencionais (não seletivos) que são comumente utilizados, mas que podem ocasionar efeitos adversos significativos, principalmente gastrointestinais. Por possuírem ação mais abrangente na cascata da inflamação, a inibição da COX-1 acaba prejudicando processos fisiológicos importantes, como proteção gástrica, perfusão renal e função plaquetária. "O desafio de controlar a dor e a inflamação sem gerar outros riscos aos equinos levou a Vetnil a desenvolver o Firocoxib Gel, que é cerca de 640 vezes mais seletivo sobre a COX-2 em relação à COX-1 em equinos, o que proporciona benefícios ao organismo do animal, visto que há redução de possíveis efeitos adversos decorrentes da inibição da via constitutiva, como complicações estomacais. É importante lembrar que os equinos, de forma geral, apresentam alta incidência de úlceras gástricas, devido a fatores como estresse e exercício intenso, assim, a preferência pela molécula firocoxibe tende a ser mais segura, especialmente quando se trata de terapias mais longas".