Para estarmos em paz, precisamos vencer a inércia, encarar os medos e confrontar os sentimentos, com disposição, vontade e coragem

Marcelo Pardini

Plantemos o amor, para colhermos as bênçãos do mais nobre dos sentimentos. Equilíbrio no hoje, paz ao ontem, esperança no amanhã. Gratidão até pelos percalços do caminho

Marcelo Pardini


Veterinária

Miopatias em equinos

Os cavalos podem enfrentar distúrbios musculares por variadas causas, por isso é necessário adotar o tratamento adequado

19/06/2026 - 14:51

Os cavalos envolvidos em atividades esportivas e até mesmo os utilizados somente para passeios esporádicos podem enfrentar distúrbios musculares por variadas causas. “Em equinos atletas, o excesso de treinos pode predispor a lesões e traumas musculares que, quando não tratados, levam a fibroses, influenciando diretamente no rendimento esportivo. Por isso, é necessário estar atento às possíveis alterações musculares e adotar o tratamento adequado o mais rápido possível”, diz Kauê Ribeiro, médico veterinário e coordenador de Comunicação Técnica da Vetnil, empresa líder em Saúde Equina no Brasil.

Além dos traumas, os equinos podem ter predisposição para desenvolver distúrbios musculares, também chamados de miopatias. Por questões genéticas, alguns animais estão propensos à paralisia periódica hipercalêmica, a HYPP, que acomete cavalos das raças Appaloosa, Paint Horse e Quarto de Milha. Outros podem apresentar quadros de rabdomiólise, síndrome que se caracteriza pelo processo de degeneração muscular. Entretanto, não são apenas fatores genéticos que ocasionam tais distúrbios. Há também a falta de preparo para o exercício físico, as condições ambientais, a dieta, a desidratação, as infecções, as intoxicações, os traumas. Nesses casos, é comum ocorrer manifestações clínicas, como dor (devido à contração muscular exacerbada), tremores, fraqueza, rigidez e sudorese intensa. Por vezes, pode-se observar urina com coloração escura (conhecida como “cor de Coca-cola”), devido à presença de substâncias decorrentes da lise (quebra) de células musculares (liberando uma proteína chamada mioglobina, que confere a coloração escura à urina).

O diagnóstico das miopatias deve ser baseado no histórico do animal, nos sinais clínicos, nos exames laboratoriais e complementares. Nesse caso, é essencial que o médico veterinário seja acionado para seguir com o diagnóstico e, depois, prescrever o tratamento adequado, lembrando que a prevenção é a melhor solução.

A terapia multimodal é fundamental para controlar a dor e reverter os sinais clínicos. Além da hidratação, do repouso, da correção da dieta e da suplementação, é importante escolher um medicamento que atue no relaxamento muscular e auxilie na dor. O metocarbamol, por exemplo, é uma excelente escolha para o tratamento de miopatias em equinos, pois promove relaxamento, reduz espasmos musculares, dor, rigidez e hipertonicidade, devido à ação no sistema nervoso central, preservando o tônus muscular, ou seja, não comprometendo a capacidade de o animal manter-se em pé ou caminhar. Pode ser indicado no tratamento de rabdomiólise, lombalgias, espasmos musculares e tétano. Porém, conforme citado anteriormente, a terapia deve ser multimodal, já que o animal normalmente não apresenta apenas contrações musculares intensas, mas também dor, desidratação, alterações hidroeletrolíticas e deficiências vitamínicas e minerais. Dessa forma, associar o metocarbamol à fluidoterapia adequada, com reposição de eletrólitos via parenteral e oral, utilização de analgésicos e suplementação de vitamina E e Selênio (que normalmente estão em déficit nesses casos, além de serem um fator preventivo), conferirá um tratamento mais adequado ao equino afetado.