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Goethe


Veterinária

As vantagens e os riscos das infiltrações

No Brasil, muitos profissionais ainda têm insegurança quanto à eficácia, aos efeitos colaterais e às medicações a serem utilizadas. Saiba mais sobre o assunto

09/06/2019 - 12:39 | Atualizado em 17/09/2019 - 00:44

As articulações dos equinos sofrem desgaste devido ao trabalho extenuante e aos exercícios em piso irregular. Poucos profissionais se atentam ao cuidado para com a cartilagem do animal, colocando pressão, sem que a mesma esteja preparada para isso. Basicamente, quando não se aquece adequadamente o cavalo ou quando há sobrecarga mecânica por períodos prolongados, ela sofre danos. A fim de se inteirar do assunto, o Portal InfoHorse, veículo de imprensa do jornalista e leiloeiro rural Marcelo Pardini, que esteve no ar até 2018, ouviu o Dr. Hélio Itapema, da Clínica de Equinos Itapema. A matéria é reeditada aqui:

Suplementos com Condroitina e Glicosamina são os mais comuns protetores das cartilagens. No entanto, demoram de 02 a 03 meses para surtirem efeito. Já a infiltração intra-articular de viscosuplementadores, viscosuplementação, é algo mais aceito como efetivo. “Neste caso, o efeito analgésico pode ser sentido de imediato”, diz Itapema.

O anti-inflamatório esteroide intra-articular ou intra-lesional, popularmente conhecido como infiltração, é um dos procedimentos mais conhecidos da Ortopedia. Mas ainda há dúvidas para o seu uso em cavalos.

Marcelo Pardini
Ainda há insegurança quanto à eficácia e aos efeitos colaterais da infiltração

No Brasil, muitos profissionais têm insegurança quanto à eficácia, aos efeitos colaterais e às medicações a serem utilizadas. Portanto, devem-se considerar os seguintes fatores ao recorrer à infiltração:
- Habilidade técnica do profissional;
- Qualidade do produto a ser utilizado;
- Correta avaliação da necessidade;
- Exame para localizar a articulação afetada;
- Assepsia e antissepsia do local a ser infiltrado, e
- Manter o animal em estação, se necessário sedá-lo.

Vantagens e riscos
Antigamente, usavam-se agulhas maiores e o medicamento era aplicado de forma a fazer um leque no tecido. Hoje em dia é feita a aplicação apenas no ponto inflamado, definido previamente nos exames físico, radiológico e ultrassonográfico, o que garante maior segurança. “Lembro ainda que a infiltração de anestésico local também pode ser usada como procedimento de diagnóstico, ajudando o veterinário a identificar onde está a fonte de dor, nos casos em que exista dúvida”, diz o profissional. “A infiltração é contraindicada em caso de suspeita de infecção e doença degenerativa articular avançada, pois pode causar artrite séptica e fístula sinovial”.

Infiltrações com Cortisona
Segundo Itapema, não adianta acabar somente com a dor com infiltrações de Cortisona, como se fazia no passado. A Cortisona diminui a dor, desinflama, ou seja, transforma um problema clínico num problema subclínico, sem sintomas. Quase invariavelmente, porém, depois de um tempo, ele volta, mais complicado e difícil. Portanto, a utilização do ácido Hialurônico, associado ao corticoide é recomendado. Alguns veterinários, principalmente no exterior, utilizam ainda soluções antibióticas nesta associação, como Amicacina.

O uso contínuo de corticoides intra-articulares causa degeneração da cápsula articular e provavelmente trará problemas ao animal. Assim, devemos considerar a infiltração como um tratamento de patologia e não como algo preventivo ou que deva ser feito com frequência em um mesmo animal.

Estudos com ratos mostraram que infiltrações repetidas de Acetato de Metilprednisolona produzem diminuição da resistência tecidual relacionada à necrose focal e tendem a provocar alterações irreversíveis na cartilagem articular.

Existem formas solúveis, de ação mais curta, que teriam indicação para processos agudos; formas insolúveis, de ação prolongada, para processos de longa duração e formas mistas. “As infiltrações são procedimentos terapêuticos utilizados na prática ortopédica para tratamento de diversas patologias do sistema musculoesquelético. Talvez seu uso indiscriminado, no passado, tenha gerado efeito oposto, ou seja, uma quase proibição entre os proprietários de cavalos e um receio por parte dos veterinários”, fala Dr. Hélio Itapema. 

Antes de utilizar esse tratamento é necessário um diagnóstico preciso, a fim de minimizar riscos. “São contraindicações absolutas: suspeita de infecção, bacteremia, presença de prótese articular, lesão ou fratura recente, ulceração ou celulite periarticular, osteomielite adjacente, instabilidade articular e osteoartrite”, finaliza o veterinário.


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