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A prudência é a filha mais velha da sabedoria

Victor Hugo


Meu Pet

Meu pet está convulsionando... E, agora, o que fazer?

Devemos ter em mente que a convulsão não é uma doença e, sim, um sintoma de que algo não vai bem com o seu animal de estimação

09/03/2020 - 11:01 | Atualizado em 26/03/2020 - 12:13

As convulsões são eventos provenientes de desordens neurológicas, que acontecem devido à ativação num nível mais intenso de neurônios de regiões específicas do cérebro - córtex e subcórtex, provocando perda de consciência, rigidez muscular, tremores, quedas, ranger de dentes, salivação, micção, defecação e movimentos de pedalagem. Algumas crises convulsivas podem ser mais discretas e localizadas, fazendo com que os proprietários não interpretem tais sinais da forma correta... E é aí que mora o problema.

Faz-se necessária a identificação da causa das convulsões para que o tratamento seja efetivo. Normalmente são utilizados medicamentos anticonvulsivantes, como Diazepam e Fenobarbital. Acupuntura, mudanças de dieta, medicamentos que interferem nos neurotransmissores e tratamento da doença primária são as linhas terapêuticas mais utilizadas.

As enfermidades capazes de causar crises convulsivas são inúmeras. Problemas vasculares, como hemorragias ou quadros isquêmicos (quando o fluxo sanguíneo é interrompido), doenças inflamatórias ou infecciosas (meningites, vírus da cinomose, vírus da peritonite felina, criptococose, bactérias formando abcessos etc). Traumatismos também podem provocar crises, assim como anomalias congênitas (quando o animal já nasce com hidrocefalia, por exemplo), além de câncer, problemas degenerativos, disfunções hormonais, intoxicações, entre outras.

Quando não é possível identificar a causa desencadeante da crise convulsiva, denominamos epilepsia primária ou idiopática. Os sintomas aparecem frequentemente entre o primeiro e terceiro ano de vida, e acredita-se que tenha causa genética ou metabólica. Qualquer raça canina pode ser acometida, entretanto, a epilepsia primária é mais comum em Labrador, Golden, Bernese, Pastor Belga, Beagle e Pastor Alemão. Na maioria das vezes é difícil identificar se o animal desenvolverá os sintomas ou não.

No momento em que o proprietário identificar a crise, ele deve manter a calma e agir com segurança no momento de transportar o animal. Nunca colocar a mão dentro da boca do pet ou tentar puxar a língua do mesmo, pois existe o risco de levar uma mordida. Há que se evitar que o animal bata a cabeça no chão ou se machuque. Normalmente as crises não duram muito tempo, mas elas podem se repetir.

O ideal é levar o cão ou o gato para o veterinário o mais rápido possível para que o profissional possa entrar com a terapia anticonvulsivante e realizar exames para identificação da causa. Caso ocorram vômitos, apenas incline a cabeça do animal levemente para baixo, a fim de que ele não aspire tal líquido. Nunca tente medicar, alimentar ou fornecer leite para o animal em casa, pois os reflexos de deglutição podem estar alterados e, consequentemente, ele pode se afogar.

Existe tratamento para a convulsão e, muitas vezes, até a cura. Há que se saber a causa. Uma crise convulsiva sempre deve ser investigada. Não hesite: procure o médico veterinário de sua confiança.


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Janaina Biotto contato@vilachicopethotel.com.br

A médica veterinária Janaina Biotto é especialista em Anestesia, Oncologia, Ozonioterapia e Acupuntura. Atende no Vila Chico Pet Hotel, em Botucatu/SP.

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