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Mercado

As aves Índio Gigante

Conheça um pouco mais sobre a raça genuinamente brasileira que tem se expandido de maneira firme e constante, já sendo cobiçada até por outros países

As aves Índio Gigante (IG) têm como berço os Estados de Goiás e Minas Gerais (anos 70 e 80). No entanto, o seu crescimento se deu por volta de 2000, junto à disseminação da internet no Brasil. Hoje, a criação está em quase todas as regiões do país. Os atrativos e os potenciais econômicos são: docilidade, facilidade de manejo, baixo custo de manutenção, produção de carne nobre e ovos de alto valor agregado. Com a popularização das redes sociais, os galos e as galinhas de tamanho avantajado ganharam fama.

“Para se ter uma ideia do potencial desse mercado, eu larguei a pecuária bovina de corte, na divisa entre Rondônia e Amazonas, para me dedicar ao Índio Gigante”, diz Pedro Ribeiro, que hoje é titular do Criatório Ribeiro, em Guaxupé/MG, um dos maiores do país. “O momento atual é bom. Mas, como toda lida rural, tem as suas dificuldades. É preciso gostar dos bichinhos e cuidar bem deles”.

O Índio Gigante se destaca pelo porte. Em sua formação foram utilizados cruzamentos de galinhas caipiras com o Combatente Brasileiro (que também é “tri-cross”) mais as raças Malaio (gigantismo) e Shamo (postura ereta). É um produto genuíno do Brasil, com grande potencial para exportação. Tem apelo comercial tanto no mercado ornamental como no de produção. Neste sentido, os criadores buscam a regulamentação da raça junto ao MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

“O Índio Gigante é um melhorador, cuja função é cruzar com as demais raças para resultar num produto final precoce, de carcaça maior e mais pesada”, dizem os irmãos Haroldo e Diogo Poliselli, do Criatório Diamante, em Jaguariúna/SP. Eles são filhos de Valdomiro Poliselli Júnior, tradicional agropecuarista. “Nossa seleção avícola segue os princípios que o Grupo VPJ aplica há 20 anos no melhoramento genético de bovinos Angus, Brangus e Red Brahman; ovinos Dorper e White Dorper, e equinos Quarto de Milha, ou seja, sempre em busca da excelência”. Os irmãos revelam: “estudamos todo o ciclo da Avicultura, desde os acasalamentos, os nascimentos, os cuidados, a prevenção de doenças até a formatação das planilhas de custos e a comercialização. Se uma galinha fica doente, não dá pra deixar pra depois, é preciso agir com rapidez”. E vão além: “Não fazemos testes. Trabalhamos em cima de provas. No IG, buscamos o melhor da relação altura versus tamanho”.

Divulgação
O frango Voodoo da Diamante, de 1,26m, foi o maior de todos os tempos

O veterinário Guilherme Lopes da Silva, do Criatório Golden Cock, em Bragança Paulista/SP, também investe no IG. “A vontade em ter aves de terreiro (galinha caipira) sempre existiu por causa das doces lembranças da infância. Fiz as primeiras aquisições e hoje tenho uma atividade que é uma verdadeira terapia. Como não tenho funcionários, faço questão de cuidar dos animais pessoalmente. Agora, trabalharei para que esse hobby dê retorno financeiro”.

O criador Mauro Loureiro, do Criatório Loureiro, em Jarinu/SP, diz que o êxito de toda atividade que engloba a criação animal depende daqueles que estão envolvidos no processo. Junto ao pai, Valter, ele mantém a criação como lazer. “É um hobby que dá dinheiro. Tem coisa melhor? Já nas primeiras vendas é possível equilibrar as contas”. Ele ressalta o célere processo da Avicultura, que confere giro de capital rápido. “Recomendo o investimento. Não vejo como dar errado. Mas, acima de tudo, devemos amar e respeitar os animais. Sempre contar com a proteção divina”.

Filipe Godinho, do Criatório Guareí, em Guareí/SP, trocou as vacas leiteiras pelas aves. "Sou um dos pioneiros na divulgação do IG em larga escala, por isso gente do Brasil inteiro vem comprar ovos e aves jovens comigo. O negócio é bom. A quem quer investir, reforço que o mercado está aberto, tendo espaço para todo mundo".

O momento é alvissareiro, por isso os criadores têm que buscar a união, visando a padronizar os critérios de seleção, aumentando o potencial genético das aves, sempre com acurácia. Além disso, informação de alta qualidade tem que estar disponível aos novos interessados, num amplo trabalho de Comunicação e Marketing. Em resumo, faz-se necessário trabalhar com seriedade, comprometimento e amor em prol do bem-comum. Incremento genético e melhorias nas condições sanitárias (manejo e nutrição) certamente resultarão na evolução da produção de ovos e carnes do Índio Gigante.  

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Mamba da Diamante - fêmea de 1,09m, a excelência do padrão racial

Num Brasil de tantas mazelas e dificuldades, com a política e a economia ainda fragilizadas, os sitiantes têm que fazer malabarismos para manter as contas no azul. Uma boa alternativa é a criação de IG, haja vista que o custo de manutenção é baixo e o mercado tem respondido positivamente à compra de ovos e pintinhos, fazendo com que o negócio seja superavitário. Imaginemos que em cada terreiro de galinha caipira (milhões espalhados por todo o Brasil) fosse introduzido um galo Índio Gigante, que faria o melhoramento genético desses galinheiros, então, os mais simplórios produtores rurais dos longínquos rincões do país lucrariam com a atividade. A ideia é interessante...

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